sexta-feira, 29 de junho de 2012

MOTO ENCONTRO - BIKE ROUTE 2012 - AVARÉ





Fui escalado para cobrir o BIKE ROUTE 2012 que aconteceu nos dias 4,5 e 6 de Maio e não demorei em pegar a estrada rumo a Estância Turística de Avaré -SP, distante 230km da capital.
Como foi de última hora, achei melhor levar a família junto, afinal, eles nunca tinham participado de um encontro antes.

Ao chegar, a primeira coisa que me chamou  atenção foi um cartaz na entrada do Camping Municipal, na Represa de Jurumirim. Dizia o seguinte: “Proibido acelerar e estourar escapamento. Proibido manobras bruscas que coloquem em risco a vida das pessoas”. Fiquei meio desconfiado...Como ninguém vai fazer isso em um encontro de motos?? - Pensei comigo. Passado dois dias conclui que realmente é possível! E olha que a entrada era gratuita!

Um ambiente muito agradável com bom Rock and Roll , algumas barracas comercializando roupas e ascessórios,  comidas e bebidas diversas,  famílias passeando pelo evento e muitas motos contribuíram para um ótimo fim de semana.

Fui recebido pelo presidente do Motoclube Libertáguias, o Jepa. Logo de cara me deixou a vontade e me explicou um pouco da história do evento, me deixando mais familiarizado com tudo e todos do motoclube que ali se encontravam. Devo dizer que é uma grande família!

O local escolhido deu um toque especial.  As margens da Represa de Jurumirim, uma grande área de camping com banheiros, churrasqueiras e parque infantil, os participantes foram contemplados com um espetáculo a parte no local: o Pôr do Sol!

Em determinado momento vi uma aglomeração se formando e não consegui ver o que era, pensei até no pior, mas, para minha surpresa, quando consegui me aproximar, no primeiro minuto fiquei surpreso: OZZY OSBOURNE??? Aqui??? Depois vi que era um sósia, praticamente igual! Mas confesso que num primeiro momento fui enganado!  Confira no www.ferozzy.com.br

Motociclistas de todos os lados, todas idades, de todos os tamanhos, com todo  tipo de moto e cilindrada fizeram do fim de semana  um momento de confraternização.  Muito papo regado a cerveja e churrasco somado a boa música ao vivo foi segurando  as pessoas noite a dentro.

Motoclubes de vários lugares do Brasil estavam lá representados, me chamou a atenção, o Tinguá. De Triciclo, puxando uma carreta toda desenhada, escrita e cheia de adereços, ele veio de Nova Iguaçu-RJ e  representa a ONG-UBEM – União Brasil Ecologistas e Motociclistas, que roda os encontros levantando a bandeira contra os crimes contra a Fauna e Flora.

Como sempre o evento tem seu lado social destacado, vale lembrar que a FEBEC ( Federação Brasileira de Entidades  de Combate ao Câncer), a RAFA ( Residência do Amor Fraternal de Avaré) e a Campanha Doe Órgãos Salve Vidas estavam presentes no evento.
No próximo evento, vale a pena conferir, só não esqueça que eles apoiam a campanha  “ZOEIRA TÔ FORA”, contribuindo assim para um ambiente mais tranquilo e seguro, se você se encaixa será muito bem vindo, se não...melhor procurar outro lugar.

Agradecimento ao Moto Clube Libertáguias pelo exelente evento e recepção.

MOTO TOUR - PICO DO GAVIÃO - ANDRADAS - MG



Pico do Gavião - Andradas - MG

Um final de semana de carnaval e eu querendo distância disso, uma ótima opção foi  pegar a moto e explorar alguns lugares diferentes. Sob chuva, partimos para o interior paulista, mais especificamente, para a região de Mogi Guaçu-SP, distante aprox. 170km de São Paulo e próximo a divisa com  o sul de Minas Gerais. Como estávamos com moto  on-off  road, decidimos explorar essa vantagem nas estradas de terra em busca de paz e natureza e na torcida para o tempo abrir.
De Mogi Guaçu-SP temos algumas opções de estradas secundárias para explorar. Muita terra e pouco asfalto, essa era nossa meta a partir daí. Para chegar ao início desse caminho que percorremos, siga sentido o bairro da Roseira em Mogi-Guaçu, o asfalto acaba nesse bairro e depois siga para Esp. Santo do Pinhal. Detalhe, não tem placas informando o caminho, tem que ir perguntando.
Por estradas de terra acompanhamos a mudança de relevo que já era visível ao horizonte. Quanto mais avançávamos menos carros e terreno plano encontrávamos. E tudo sob chuva, o que deu um “tempero especial”. Não tínhamos poeira, mas barro....tinha para todo tipo de gosto.
Passamos por plantações de café, cana-de-açúcar, eucalipto, laranja e pecuária de corte e leiteira. Uma região muito bonita com construções antigas, vegetação exuberante e um relevo bem acidentado. Devido a chuva, muitos pontos estavam intransitáveis para os carros, mas, de moto foi emocionante. Chegamos a Esp. Santo do Pinhal-SP, uma cidade que nos áureos tempos, foi muito importante na produção de café e hoje, além de continuar com muito café, ainda tem uma Faculdade com várias opções de cursos. “Pinhal”, como é conhecida na região, é uma cidadezinha bem tranquila, típica de interior com praça, coreto e Igreja. O povo é bem simpático e tranquilo. Demos uma volta na praça principal e seguimos em direção a Gramínea,  um bairro de Andradas, já em Minas Gerais. Depois seguimos para Andradas, tudo por vias secundárias. Algumas bifurcações nos fizeram perder algum tempo pois não tem sinalização e, devido a chuva, ninguém na estrada. Mas, quando encontrávamos alguém perguntávamos sobre o nosso destino.
Entre Gramínea e Andradas-MG, passamos por algumas vinícolas. Uma nos chamou a atenção: a Vinhos Campino. Uma entrada delineada com Palmeiras nos levou a entrar para dar uma olhada. Com uma pequena trégua da chuva, além de um belo restaurante,  vimos ao chegar, um grupo de turistas sendo acompanhados por uma guia da vinícola para um passeio pelas dependências do local. Bem no estilo das vinícolas do Sul do país. Como tínhamos muita lama pela frente, seguimos adiante.
O roteiro foi uma boa escolha. Apesar da chuva que quase não deu trégua, o caminho é muito agradável com subidas, descidas, paisagens lindas, propriedades muito bem cuidadas e pouquíssimo movimento. No roteiro todo, tirando as partes urbanas, cruzamos com menos de 15 carros! Uma tranquilidade!!
Chegamos em Andradas-MG, uma cidade já bem estruturada e palco de vários campeonatos de Asa-delta e Paraglider. E o “point” é o Pico do Gavião, local conhecido mundialmente pelos praticantes desses esportes. Seguimos para lá depois de darmos uma volta para conhecer a cidade e fazermos uma parada para um lanche. Saindo de Andradas sentido Poços de Caldas, pegamos a estrada de asfalto para subir a serra e depois de alguns quilômetros vimos uma placa indicando Pico do Gavião a esquerda. Ao entrar nessa estrada vimos que a coisa iria ficar “boa”. A estrada parecia um....não....não parecia estrada...era uma lamaçal que, só de olhar já escorregava. Seguimos com muito cuidado, escorregando para todos os lados. Subidas e descidas para todos os gostos. Com água, com pedra, com buraco, enfim, foi um show!! Com muito cuidado chegamos a um riacho que corta a estrada. A água chegou a altura do motor! Depois , seguimos mais um pouco e chegamos ao portal do Pico do Gavião. Os pneus estavam lisos! Era um barro só. Continuamos subindo e, em um determinado momento, a subida está calçada e asfaltada para tornar possível a subida de carros, algumas centenas de metros depois, finalmente chegamos!
Do Alto do Pico do Gavião, onde existe uma lanchonete, uma base com rádio, internet sem fio e as rampas para o salto, temos uma visão de 360 graus da Serra da Mantiqueira. Como estava chovendo não conseguimos ver muito, mas a sensação de paz e tranquilidade são indescritíveis, isso sem contar a natureza exuberante da região. Quando o tempo está aberto, a vista é incrível. Pode-se visualizar 4 a 5 cidades da região! Saímos do Pico do Gavião, toda a subida lisa agora virou descida e num descuido, o Frank, meu companheiro na aventura, foi parar no barranco. A traseira da moto deslizou como se estivesse passado no óleo. Foi ele e moto para a lama. Felizmente nada sério aconteceu e continuamos a descer com destino a Águas da Prata – SP, distante segundo uma placa logo na saída do Pico, 12km. Na verdade não são 12km para a cidade, são quase 20. Uma descida só! Muita lama e muito lisa para diversificar um pouco. Esse trecho faz parte do famoso Caminho da Fé, encontramos várias placas sinalizando o caminho. Tem que ter fé mesmo para enfrentar esse caminho!
Ao final, chegamos a Águas da Prata, e nada melhor do que experimentar uma pamonha, um curau, um suco de milho, entre outras coisas mais que são a marca registrada do local. Inúmeras barraquinhas oferecem os derivados do milho além de salgados e refrigerantes. Sem contar a possibilidade de beber água diretamente da fonte! Os macaquinhos fazem a alegria dos turistas, que ficam encantados com suas acrobacias em busca de um aperitivo.
De Águas da Prata, o destino é voltar para São Paulo. Logo na saída da cidade, a Policia Rodoviária nos parou para checar documentos e anotar nossos dados, uma atitude que nos deu segurança e que ajuda a reprimir os roubos. Enquanto estávamos parados, não passou uma moto sem ser parada.
Na volta a chuva ajudou a limpar as motos e nossas roupas, que estavam cobertas de lama. Durante a volta todo o roteiro feito passava pela minha cabeça, como se fosse um filme. Na verdade um capítulo de uma série pois, a necessidade de estar fora da “Selva de Pedra” é grande! É minha terapia!! Nos vemos na próxima!

Dicas:
As distâncias entre as cidades são relativamente curtas, mas, preventivamente saia de tanque cheio de Mogi-Guaçu que conseguirá fazer todo o trajeto sem problemas.
Programe-se para sair de Mogi Guaçu de manhã e, para ser um passeio tranquilo, pode-se dormir em Águas da Prata antes de retornar a Capital (se for o seu caso).
Cuidado com os animais na estrada, é normal encontrar galinhas, porcos e cachorros durante o trajeto, eles podem render um susto ou um tombo.